segunda-feira, janeiro 18

TRABALHOS MANUAIS COMO ARTETERAPIA

Simplicidade ao alcance de todos
(Fazer algo com as próprias mãos pode tornar-se uma terapia)


Muitas pessoas dizem que não têm tempo ou não podem iniciar um processo terapêutico, mas muitas também não percebem as oportunidades cotidianas de se cuidarem. Falta ânimo? Coragem? Atenção? O fato é que vai se deixando para depois, sempre para depois.



Atividades simples do dia-a-dia possuem grande potencial terapêutico, ou seja, nos ajudam a nos sentirmos e sermos melhores, a descobrirmos outras possibilidades.Assim é o trabalho manual. Primeiro pela simbologia das mãos para todos nós: elas trazem a ideia de construção, poder, criação, energia. Expressões como "botar a mão na massa" mostram as mãos como detentoras da ação. Tanto que ao precisarmos de ajuda "pedimos uma mãozinha". E se é necessário pensar em autocuidado é hora de "tomar a vida nas mãos".

Criar com as mãos é a possibilidade de concretizar, de expressar, dar vazão à criatividade. Atividades simples como cozinhar, bordar, escrever,esculpir e pintar ficaram sem espaço em nossas vidas no meio da correria da atualidade. "Para que cozinhar se o microondas faz tudo? Para que bordar se compro tudo que quero no shopping mais próximo?" No meio da praticidade fomos perdendo contato com nossa habilidade ancestral de dedicarmos tempo e espaço para o processo de criação. Reservar um momento para transformar os elementos calmamente, passo- a- passo. Viver o aqui e agora, entrar num estado meditativo de atenção total ao presente.

Mãos à obra

Bordando entramos num processo de ligar pontos, de ir e vir, de acessar tramas. Isso facilita muitos insights, além da satisfação de ver nossas mãos dando vida a algo. O exercício de bordar é uma grande metáfora do trabalho de viajar pelos conteúdos guardados no nosso inconsciente.

Cozinhando experimentamos o prazer dos sentidos, somos magos da transformação dos estados físicos, dos sabores, das junções. Precisamos escolher, experimentar, aguardar. Vamos ponderando e exercitando a sabedoria da doação. Tem coisa mais gostosa do que ver pessoas queridas se deliciando com o que fizemos?

Esculpindo empregamos energia para transformar algo bruto em uma obra. Vamos abrindo espaço dentro de nós para outras transformações que precisam ser feitas, com essa mesma energia, com precisão e inteireza. Assim também pode ser a pintura: um exercício de transformação, ao mesmo tempo carregado de fluidez. A união das tintas, que quanto mais líquidas, mais nos ajudam a lidar com a necessidade de controle dentro de nós. Se tivermos dificuldade em lidar com a imprevisibilidade, se nos virmos escravos do controle, talvez aí esteja uma atividade importante para exercitarmos a possibilidade de lidar com o imprevisível, com o novo que nasce na junção das cores, das texturas.

Escrevendo vemos caminhos se formarem, as palavras vão se ligando, liberando sentidos que poderiam estar escondidos para nós. A escrita pode ter o dom de libertar aquele nó no peito. Ela libera, desata, coloca pra fora.

O momento de entrega

Não importa o resultado, mas sim a delícia do processo." A riqueza está no tempo que dedica a algo prazeroso para você. Pode ser que numa primeira tentativa o bordado seja meio torto, a comida meio salgada, o texto um tanto perdido... Mesmo assim, vale mais o momento de entrega. Com exercício vamos nos familiarizando e até obtendo resultados melhores. Não é assim também na vida? Escolha uma atividade que lhe chame a atenção e vá. Se você é faz parte do time que se priva de experimentar com medo de não agradar, talvez esteja na hora de se libertar e se entregar ao imprevisível do trabalho com as mãos. Comece por concretizar as transformações do lado de fora. Assim, naturalmente, as mudanças internas começam a acontecer! Mãos à obra!

Autora: Juliana Garcia (Psicóloga, psicodramatista e aromaterapeuta. Trabalha em projetos sociais como facilitadora de grupos de mulheres e grupos de reflexão sobre o Feminino em Belo Horizonte e interior de MG)
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Minha mãe é uma artísta de mão cheia. Desde que me conheço por gente, lembro-me dela fazendo alguma "arte": hora eram colchas de crochê; colchas de patchwork, pintura em madeira, pintura em vidro e sua paixão maior - pintura em tecidos!
Ah! Ia esquendo- culinária também é o seu forte!
Acho que toda essa 'arte' ajudaram-na a ser a mulher forte que é hoje!
MInha mãe passou por bons bocados nessa vida, sua infância , órfã aos 6 anos, ajudando minha avó a cuidar do irmão menor (1 ano)., depois ter que se virar sozinha sempre, pois minha avó tinha que sustentar dois filhos sozinha e as coisas antigamente não eram como hoje, que se tem "pensões", o mercado de trabalho era muito restrito para as mulheres nos anos 50 !"
Depois a adolescência pobre, tendo que trabalhar e deixar o estudo para segundo plano ( voltando aos mesmos somente quando nós já estávamos na escola).
Casou-se cedo ( segundo ela para fugir das pressões da minha avó Davina - italiana brava, muito brava, rigorosa ao máximo. Dizia ser assim por ser viúva e ser responsável pela criação e educação dos filhos, sendo observada pelos "Nonos" - Os sogros italianos, que não ajudavam, mas "cuidavam" com olhares), mudou-se da cidade de São Paulo para uma cidade pequena, com uma cultura fechada ( colônia de japoneses), com poucas opções de tudo: lazer, alimentação, cultura - sim, não tinha sinal para TV, as revistas chegavam muito atrasadas, inclusive minha mãe conta que o jornal vinha com notícias de 3 a 4 dias atrás!.
Meu pai trabalhava na administração de uma fábrica de chá preto, durante a semana trabalhava e nos sábados ou domingos, saía para pescar com os amigos. Minha mãe no lugar de afundar suas tristezas e saudades em prantos, resolveu trazer vida à si com leituras, cuidando de mim, que ainda era pequena (acho que tinha 1 1/2 ano, qdo mudamos para lá) e ao artesanato.
Durante todo o tempo vi minha mãe produzindo algo com suas ágeis mãos e bom gosto.
Depois, quando a vida estava mais calma, filhos crescidos, formados, casados, vem a doença e a morte do meu pai.
Hoje, 15 anos depois, minha mãe continua uma mulher "viva", alegre, saudável, pé no chão, cuidando da casa, da vida e "pintando".
Sim, a arte manual foi e é uma grande companheira da minha mãe. Companheira das horas alegres, das horas tristes, das horas de solidão, das horas de realização.
Nâo dá para separar minha mãe das artes!

Ah! Esqueci de dizer: a maior obra de arte dela, a mais importante, a mais famosa encontra-se em Curitiba-PR : EU!!!!  kkkkkkkkkkkkk
(deixa só ela e meus irmãos lerem isso!!! Eu apanho!)

                     Fui

2 Comments:

Maria João said...

Querida Vi, votei na sua enquete.
Seu blog continua lindo demais, adoro o visual.
Beijinhos.

Maria João said...

Bom dia. Passei pra desejar uma linda Quarta-feira.
Beijinhos.

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©Dez 2009 Rachel Por Encomende Aqui Blog Dos Layouts